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“Falarei quando entender que o devo fazer”, diz Vieira.

 «Nunca vi, e já aqui estou há muitos anos, uma campanha tão ofensiva e caluniosa como a que têm feito. É algo a que tenho assistido, mas a verdade vem sempre ao de cima. Falarei quando entender que o devo fazer. Até lá o mais importante é os nossos jogadores responderem em campo.» 

 Estas palavras são de Luís Filipe Vieira. 

São palavras de quem se julga superior ao clube, são palavras de quem acha que os seus problemas dele são os problemas do clube, são palavras de alguém que acha que o Benfica só pode existir com ele. 

Tudo está mal nestas declarações: A campanha não é ofensiva ou caluniosa. 

 - Talvez Vieira ache que lançar uma OPA em que os seus amigos e ele próprio iriam ganhar milhões de euros é algo normal. 

 - Talvez Vieira ache que oferecer “tachos” no Benfica a um juiz em troca de favores pessoais é algo normal. 

Talvez. Mas muitos sócios e adeptos não acham. 

Aliás, só um alucinado pode aceitar isto sem pelo menos questionar se está tudo a ser feito de forma ética (e já entro na legalidade da coisa). 

Trata-se de dinheiro do Benfica, é natural que se questione o que se anda a fazer com ele. No entanto, para Vieira, isto são calúnias e ofensas. 

Quem não deve não teme, por isso, se Vieira não se digna a explicações, é porque se calhar teme. 

“Falarei quando entender que o devo fazer”, diz Vieira. 

Pois, esse é também um problema. 

É que Vieira nunca entende que deve falar, a não ser que seja para se auto-promover. 

Para falar da humilhante temporada que terminou há dois meses, ou de muitos outros assuntos que preocupam os Benfiquistas, nem uma palavra. 

Para debater e discutir Benfica antes de um ato eleitoral em que ele próprio irá participar, essa que é uma das coisas mais básicas da democracia, nem uma palavra. 

Para falar da obra feita, Vieira entende sempre que deve falar. 

Para se vitimizar quando as coisas não correm como ele quer, aí está ele. Faz lembrar um pouco o Departamento de Comunicação do Benfica, quase inexistente quando o Benfica é difamado, mas sempre pronto a disparar quando o alvo é Vieira. 

Diz Vieira que o mais importante é os jogadores responderem em campo. Porquê mesmo? Os jogadores são contratados para jogar à bola. 

O que é que os jogadores têm a ver com a moscambilha que outrem faz? O que é que os jogadores têm a ver com o debate entre candidatos à presidência do Benfica? 

Os jogadores representam os 200 e tal milhares de sócios do clube, representam os 6 milhões de adeptos do Benfica. Ao contrário do que Vieira pensa, os jogadores não o representam a ele próprio. Já é suficientemente mau Vieira passar a vida escondido quando a maré é de insucessos, mas esconder-se atrás de jogadores de futebol é um novo low. 

 A verdade é que estas declarações mostram o óbvio que já todos sabíamos. 

Vieira é egocêntrico, pois confunde o Benfica com ele próprio; Vieira não quer saber da democracia, pois isto de ter que ouvir outros candidatos a tecer críticas à sua gestão e aos seus atos é algo que, na ideia dele, não devia existir; Vieira acha que os Benfiquistas são todos burros, pois crê que achar estranho os sucessivos acontecimentos opacos que o rodeiam é algo anormal. 

Cabe aos Benfiquistas demonstrarem que não são burros como Vieira pensa, e creio que todos saberão como o fazer. 

Quem, pelo contrário, estiver satisfeito com esta maneira de estar, também sabe bem o que fazer, não pode é a médio/longo prazo queixar-se das consequências.

O Benfiquista Crítico
(Retirado do seu blogue antes da tragédia grega)
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