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Os jornaleiros patrioteiros do costume

Os patrioteiros histéricos da nossa comunicação social pindérica, sem nada nas agendas para apresentar serviço, decidiram dar relevo e uma importância desmesurada à Taça dos Libertadores do que propriamente à Taça de Portugal, quando são os mesmos hipócritas que por vezes acusam os portugueses de desvalorizarem o que é nosso em detrimento do que vem de fora, precisamente o que estes pacóvios fizeram nos últimos dias.

Ávidos em arranjar notícias para encher chouriços que compensem, de alguma forma, as audiências baixas e insignificantes com que se debatem, estes grupos de comunicação da treta não tiveram qualquer pejo nem contenção nas despesas, quando decidiram enviar um batalhão de jornaleiros para o Rio de Janeiro e para Lima, o local da final da taça, para se desdobrarem em entrevistas e reportagens como saloios divertidos de microfone estendido, para auscultar o que ia na alma e na voz do povo brasuca, que em êxtase quase carnavalesco, gritavam mais que opinavam, para o encanto e delícia dos repórteres portugas, que nestes dias vestiram a camisola do Flamengo e as alegrias de Jorge Jesus.

Nós, os portugueses, somos mesmo assim, uns exagerados sem limites e uns mesquinhos empedernidos, tão absolutamente ridículos como marcadamente provincianos, que temos alguma dificuldade em sermos nós próprios, quando aceitámos, sem estrebuchar, um acordo ortográfico estúpido, imposto por subjugação aos interesses linguísticos que vieram do lado de lá do Atlântico, num assassinato a frio à bem falante e escrita língua lusa, que a única coisa que eles sabem de Portugal e dos portugueses, é aquilo que satirizam com piadas e anedotas.

Com a desculpa do Jorge Jesus, fomos todos (eu não) do Flamengo.

Com a desculpa do Flamengo, fomos todos (eu não) do Jorge Jesus.

Não é tanto por desmerecer o que o homem fez, mas dá a impressão que o feito agora alcançado pelo Rod Stewart da Amadora é comparável ao que o navegador beirão Pedro Álvares Cabral protagonizou em 1500, quando chegou ao Brasil, e descobriu, que por lá ainda não existia futebol, e quanto muito chutavam nos cocos.

Ganhar o Brasileirão ou a Libertadores, é tão fácil como ganhar na Arábia Saudita ou a copa das Nações Árabes, bem mais difícil é repetir essa façanha na Europa ou na Champions League, e eu não vi o mesmo histerismo patético dos alemães pelo cidadão Jurgen Klopp quando foi campeão europeu com o Liverpool, nem tão pouco o povo bávaro a torcer na final pelas cores do Liverpool, porque simplesmente os alemães, ao contrário dos portugueses recauchutados, têm um sentido decente e patriótico das coisas.

O que se viu na final da Libertadores, mas isso não conta para o rigor de uma análise sensata e pouco dada a fanatismos, foi um Flamengo andar 89 minutos a cheirar a taça, e só a sorte dos deuses dos orixás e dos candomblés e a bênção do Cristo Corcovado, evitaram a frustração e o desânimo de 40 milhões de flamenguistas e de muitos apaniguados portugueses, que até são capazes de trocar a língua de Camões por um sotaquezinho de conveniência.

Mas este patriotismo doentio não se ficou só pela figura de Jorge Jesus, ele também se estendeu a José Mourinho, capturado de um longo desemprego por uma oferta de trabalho milionária vinda de um Tottenham feito em cacos, que fez as parangonas e as delícias dos jornaleiros lusitanos, felizes pelo regresso do “special one” das indemnizações, que na imprensa inglesa mereceu pouco destaque, por estarem convencidos que ele é hoje mais actor do que treinador.

Sorte também teve LFV, que agradeceu estes desvios de atenções da realidade nacional, porque seria interessante que não fugisse de dar uma explicação sensata pelo lançamento desta OPA estranha e vergonhosa, que parece obedecer a um pedido de várias famílias e amigos, ele incluído, para serem ressarcidos com ganhos muito acima do que investiram, como se um dia, à mesa de um restaurante, LFV lançasse um desafio a DSO: “Ó pá, e se a gente lançasse uma OPA?”.

Amo-te, Benfica!
 José Reis
                                       
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