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Um novo ciclo para o Benfica (2)

(Continuação...)

   A ambição:
Atualmente, com a entrada direta na Liga dos campeões, um grupo acessível, e os cofres, alegadamente, a abarrotar, desinvestiu-se na equipa, condenando-a a mais um desempenho vergonhoso na Europa!

   Em contrapartida, anuncia-se mais um longo ciclo de betão e a promessa vaga, de uma vitória europeia com recurso ao produto da “fábrica” interna. Ou seja, o foco do clube deslocou-se do “querer ganhar”, para o negócio de jogadores e das obras.

   Ainda na véspera do jogo com o Zénit podemos ouvir, na BTV, um comentador residente alegar, com veemência, da falta de condições do Benfica para rivalizar com os “tubarões” europeus; esquecendo-se de que, tais diferenças, já existiam nos anos sessenta, quando o Benfica emergiu entre os maiores.

   No dia seguinte a equipa teve um comportamento desastroso jogando muito abaixo do que sabe e pode! Por mim, tal sujeito seria, imediatamente, convidado a sair, e não voltaria a pisar o chão do estúdio.

   Um Benfica envergonhado é o que se vislumbra bem lá no fundo do projeto em curso. É esta a nova bitola do Benfica; um clube a viver do prestígio passado mas incapaz de construir as memórias do futuro.

   A estratégia:
  Construir um grande Benfica com base na formação interna é um plano que agrada a todos os benfiquistas, porém utópico, seja pela dificuldade em manter os talentos da formação até à maturidade competitiva indispensável às grandes competições, seja optando pela rejeição de contributos externos.

De todo o modo, o horizonte que vai sendo apontado, dez a quinze anos, é incompatível com as aspirações dos adeptos e os pergaminhos do clube. O edifício que urge reconstruir é imaterial, é afetivo, e não de betão!

   O sorvedouro:
   Duzentos e oitenta milhões de euros - salvo o erro - foi o que se faturou em transferências no ano em que o penta se nos escapou por entre os dedos, por uns míseros dois pontos! Pois nem se reforçou a equipa, nem se amortizou o passivo com esses proveitos!

   Recorreu-se à dação de receitas futuras comprometendo a competitividade desportiva imediata! 

   Trezentos milhões de euros foi a receita do exercício transato, tendo-se repetido os erros anteriores; nem se reforçou a equipa adequadamente, ficando vulnerável nalguns setores, arriscando novo fracasso, nem se vislumbra intenção de redução do passivo!

   Num exercício simplista, mas realista do ponto de vista do adepto comum, se, com tal nível de receitas não há excedentes orçamentais, tal significa que os encargos de estrutura são demasiado elevados.

   E mais elevados ficarão com a execução do projeto de expansão do Seixal!

    O estilo:
  Nem o modo messiânico nem o de homem providencial são compatíveis com a tradição e cultura do clube, nem com as práticas da boa gestão. É o que tem prevalecido na retórica e na ação da Direção atual, substituindo-se à colegialidade e democraticidade mobilizadoras e criativas.

   A reputação:
  Os casos que nos últimos dois anos vieram a público envolvendo pessoas ligadas ao Benfica, ainda que não provados em sede própria, ainda que resultando de ações criminosas externas, produziram danos reputacionais no clube-sad, constituindo um retrocesso neutralizador, em grande parte, do magnífico trabalho de credibilização efetuado nos primeiros anos deste ciclo.

   E, ainda que nenhuma responsabilidade direta venha a ser atribuída ao clube-sad e, ou, aos seus dirigentes, eventuais condenações efetivas de figuras próximas, implicarão sempre demissões ao mais alto nível.

  Um líder tem sempre responsabilidade ética relativamente aos atos cometidos pelos colaboradores que escolheu.

   As clivagens:
   A diabolização permanente e persistente da gerência de Vale e Azevedo pela atual Direção dividiu os adeptos, deixando muitos deles de “pé atrás”.
   O efeito pernicioso de tal insistência nunca foi entendido, nem tão-pouco quão importante era para o clube-sad que os “acertos de contas” se tivessem feito intramuros. Ou, percebendo-o, tem sido essa a intenção.
   Além da proteção da figura institucional, sobreleva a questão humana; o ex-Presidente Vale e Azevedo, mesmo após cumprimento integral do cúmulo jurídico - deve ser caso único na justiça penal portuguesa - tem sido perseguido implacavelmente, como se, informalmente, tivesse sido condenado a prisão perpétua! Por mais penas de prisão que cumpra é-lhe sempre negado o direito à reabilitação!

   E esta Direção tem “ajudado à festa”! Deplorável!

Não menos grave, é a atitude, envergonhadamente reverencial, a Joaquim Oliveira e seu universo empresarial. Enquanto se afirma, reiteradamente, o dever de gratidão do clube-sad para com ele os adeptos vêm-no como inimigo; pelo seu vínculo afetivo e institucional ao rival do Porto, pela discriminação com que uma das suas participadas, a Sport-TV, trata o clube da Luz, pelo controle implícito dos clubes pela via do financiamento e por outras afinidades e alianças frequentemente adversas ao Benfica.
   É neste contexto que os adeptos vêm, desde sempre, com grande preocupação, a presença de empresas do grupo Oliveira no clube e a participação do próprio no concelho de administração da Sad.
Insistir no discurso da gratidão é, pois, insistir no divisionismo e no enfraquecimento da massa adepta do clube. Pelo contrário; foi o Benfica que proporcionou a ascensão económica de Oliveira ao conceder-lhe os direitos desportivos por tuta e meia, os quais lhe permitiram faturar abundantemente, concretamente pela expansão da Sport-tv, proporcionando-lhe múltiplos retornos, financeiros e institucionais.
Por coincidência, ou não, o tetra-campeonato sucedeu no período em que o Benfica detinha os seus próprios direitos desportivos, com orgulho de todos os adeptos que viam na BTV a sua guarda-avançada.
Não obstante, resolveu a Direção vender de novo os direitos à mesma entidade, então reformulada, contribuindo para o ressurgimento da velha estrutura de má memória.
O resultado não se fez esperar; o penta esfumou-se e o BPN recuperou os seus cem milhões adiantadamente, creio.
E é isto que muitos benfiquistas não perdoam à atual Direção; a dependência relativamente a um dos administradores de um dos principais rivais, e esta pretensa magnanimidade relativamente a estes, apesar de, reiteradamente, empenhados na infame tentativa de destruição da reputação do Benfica, visando, objetivamente, inviabilizar o seu financiamento no mercado de capitais e o seu estrangulamento financeiro.

António Barreto - Peniche

(Continua...)

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3 comentários

  1. Muito bem. Subscrevo inteiramente.

    ResponderEliminar
  2. Se o caro Viriato publicou alarvosidades dum sujeitinho malcriado, decerto terá todo o prazer em publicar comentário(s) contraditórios e com a mesma clareza que decerto estarão a ser preparados por quem é pago (dizem que muito bem) para isso!
    Pessoalmente, obrigado ao Barreto pela clarividência das suas opiniões!
    E que cada um interprete como quiser!
    Democracia não começa nem acaba no voto electrónico!

    ResponderEliminar

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